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Geografia (Aragarças - GO)

 


 

Geografia, economia, história de Goias

 

A caça ao índio, a busca de riquezas minerais e a catequese foram, no final do século XVI, responsáveis pela penetração do centro-oeste brasileiro, por meio de duas correntes humanas de certa forma antagônicas: os bandeirantes, vindos do sul, ambicionavam escravos, ouro e pedras preciosas; os jesuítas, vindos do norte, procuravam conquistar os índios para a fé católica e defendê-los da sanha dos desbravadores. A história de Goiás repete essas linhas de força originais, como se observa pelo permanente desejo de crescimento econômico e modernização, a par da profunda religiosidade de seu povo.

Principal estado da região Centro-Oeste, com uma superfície de 340.165,9km2, Goiás limita-se ao norte com o estado de Tocantins; a leste com a Bahia e Minas Gerais; ao sul com Mato Grosso do Sul e Minas Gerais; e a oeste com Mato Grosso. A capital é Goiânia. Em seu território encontra-se encravado o Distrito Federal.

Geologia e relevo.

A maior parte do território goiano se caracteriza pelo relevo suave das chapadas e chapadões, entre 300 e 900m de altitude. Consiste de grandes superfícies aplainadas, talhadas em rochas cristalinas e sedimentares. Cinco unidades compõem o quadro morfológico goiano: (1) o alto planalto cristalino; (2) o planalto cristalino do rio Araguaia-Tocantins; (3) o planalto sedimentar do São Francisco; (4) o planalto sedimentar do Paraná; e (5) a planície aluvial do médio Araguaia.

O alto planalto cristalino situa-se na porção leste de Goiás. Com mais de mil metros de altitude em alguns pontos, forma o divisor de águas entre as bacias do Paranaíba e do Tocantins. É a mais elevada unidade de relevo de toda a região Centro-Oeste. O planalto cristalino do Araguaia-Tocantins ocupa o norte do estado. Tem altitudes mais reduzidas, em geral de 300 a 600m. O planalto sedimentar do São Francisco, representada pela serra Geral de Goiás (no passado dito "Espigão Mestre"), vasto chapadão arenítico, caracteriza a região nordeste do estado, na região limítrofe com a Bahia. O planalto sedimentar do Paraná, extremo sudoeste do estado, é constituído por camadas sedimentares e basálticas ligeiramente inclinadas, de que resulta um relevo de grandes planuras escalonadas. A planície aluvial do médio Araguaia, na região limítrofe de Goiás e Mato Grosso, tem o caráter de ampla planície de inundação, sujeita a deposição periódica de aluviões.

Clima.

Dois tipos climáticos caracterizam o estado de Goiás: o tropical, com verões chuvosos e invernos secos; e o tropical de altitude. O primeiro domina a maior parte do estado. As temperaturas médias anuais variam entre 23o C, ao norte, e 20o C, ao sul. Os totais pluviométricos oscilam entre 1.800mm, a oeste, e 1.500mm, a leste, com forte contraste entre os meses de inverno, secos, e os de verão, chuvosos.

O clima tropical de altitude aparece apenas na região do alto planalto cristalino (área de Anápolis, Goiânia e Distrito Federal), onde, por efeito da maior altitude, se registram temperaturas em geral mais baixas, embora o regime pluvial conserve a mesma oposição entre as estações chuvosa de verão e seca de inverno.

Hidrografia.

A rede hidrográfica divide-se em duas bacias: uma delas é formada pelos rios que drenam para o rio Paraná; a outra, pelos que escoam para o Tocantins ou para seu afluente, o Araguaia. O divisor de águas entre as duas bacias passa pelo centro do estado e o atravessa de leste a oeste. O limite oriental de Goiás segue o divisor de águas entre as bacias dos rios Tocantins e São Francisco e o divisor de águas entre as bacias do Tocantins e do Paranaíba. Todos os rios apresentam regime tropical, com cheias no semestre de verão, estação chuvosa.

Flora e fauna.

A maior parte do território de Goiás é recoberta por vegetação característica do cerrado. As matas, embora pouco desenvolvidas espacialmente, têm grande importância econômica para o estado, de vez que constituem as áreas preferidas para a agricultura, em virtude da maior fertilidade do solo, em comparação com os solos do cerrado. A principal mancha florestal do estado se encontra no centro-norte, na região chamada do Mato Grosso de Goiás, situada a oeste de Anápolis e Goiânia. Essa área florestal é de grande relevância econômica porque apresenta solos férteis, derivados de rochas efusivas. Entre as espécies vegetais predominantes estão o jatobá, a palmeira guariroba, que fornece um palmito amargo muito apreciado no estado, o óleo vermelho, ou copaíba, o jacarandá e a canela.

Outras manchas florestais ocorrem nos vales dos rios Paranaíba, ao sul; Tocantins, a leste; e Araguaia, a oeste. Boa parte dessas matas, especialmente no vale do rio Araguaia, assume uma forma de transição entre o cerrado e a floresta denominada cerradão. Ocorrem aí espécies arbóreas freqüentes na área do Mato Grosso de Goiás e outras, como o angico, a aroeira e a sucupira-vermelha. Nas áreas dominadas pelo cerrado ocorrem as espécies típicas: lixeira, lobeira, pau-terra, pequi, pau-de-colher-de-vaqueiro, pau-de-santo, barbatimão, quineira-branca e mangabeira.

A fauna de Goiás tem diversas espécies ameaçadas de extinção, quer pela ação predatória dos caçadores, quer pelas queimadas e pelo envenenamento do solo com agrotóxicos. Estão entre elas o lobo-guará, o cachorro-do-mato-vinagre, o tamanduá-bandeira, o veado-campeiro, o tatu-canastra, a ariranha e o cervo. Outras espécies são a paca, a anta, o tatu-peludo, o tatu-galinha, o tamanduá-mirim, a lontra, o cachorro-do-mato, a raposa-do-campo, a capivara, a onça, a suçuarana, a onça-pintada, o bugio, a jaguatirica e diversos tipos de serpentes, como a sucuri e a jibóia. Também entre as aves há espécies em extinção, como o tucano-rei, o urubu-rei e a arara-canindé. Há ainda várias espécies de tucanos e araras, além de perdizes, emas, codornas, patos-selvagens, pombas-de-bando, pombas-trocazes, jaós, mutuns e siriemas.

População

A região Centro-Oeste caracteriza-se pela baixa concentração demográfica. No entanto, a partir da implantação de Brasília e da descoberta dos cerrados como nova fronteira econômica, em etapas diferentes, dirigiram-se para Goiás grandes fluxos de migrantes, sobretudo das cidades muito populosas ou das regiões mais pobres do país, em busca de ocupação ou de novas opções de vida. A ocupação de mão-de-obra na montagem da infra-estrutura do estado -- rodovias e hidrelétricas -- e na instalação de novas indústrias permitiu que essa ocupação se desse de maneira mais organizada, sem formar os bolsões de miséria e de populações marginais típicos das grandes capitais brasileiras. Com o desmembramento que deu origem ao estado de Tocantins, em 1988, a população de Goiás reduziu-se, mas manteve suas taxas de crescimento e de densidade demográfica. Verifica-se maior concentração populacional na região central do estado, a oeste do Distrito Federal.

A palavra Goiás, originada do tupi, que designa a noção de "pessoas iguais, da mesma raça, parentes", bem se aplica à solidariedade e ao espírito comunitário do povo goiano, comprovados pelas obras sociais abundantes em praticamente todas as cidades do estado, destinadas a socorrer a população carente.

Economia

Agricultura e pecuária.

O setor agropecuário tem sido tradicionalmente a base da economia goiana. Nas três últimas décadas do século XX, Goiás foi uma das regiões de fronteira agrícola mais expressivas do país. Em muitas culturas, como soja, milho, arroz, feijão, tornou-se, naquele período, um dos maiores produtores do país. A principal área agrícola e pastoril do estado é a região do Mato Grosso de Goiás, onde se pratica uma agricultura diversificada, com arroz, milho, soja, feijão, algodão e mandioca.

Apesar de possuir o segundo rebanho do país, Goiás observa uma tradição de baixa produtividade, tanto em nível de fertilidade quanto de idade de abate dos animais, idade de primeira parição e produção leiteira. A bovinocultura de corte representa um segmento de importância fundamental para a economia do estado, tanto como fonte de divisas, pelos excedentes exportáveis, quanto pelo expressivo contingente de mão-de-obra ocupado nessa atividade. Nos pastos plantados em antigos terrenos florestais (invernadas) engordam-se bovinos, criados nas áreas de cerrado, e mantém-se um rebanho de gado leiteiro. O vale do Paranaíba é a segunda região econômica de Goiás e maior produtora de arroz e abacaxi. Cultivam-se também milho, soja, feijão e mandioca. É grande o rebanho de leite e corte.

A soja é o principal produto agrícola do estado.

Introduzida em 1980, a cultura foi aperfeiçoada pela obtenção de sementes adaptadas ao cerrado e aplicação de calcário e outros elementos para combater a acidez do solo. Com o lançamento de novas variedades de grãos mais resistentes à armazenagem e às pragas, registrou-se forte aumento de produtividade. A cultura do milho é geralmente associada à criação de suínos e ao plantio de feijão. A cana-de-açúcar e a mandioca têm caráter de lavouras de subsistência e servem ao fabrico de farinha, aguardente e rapadura. O extrativismo vegetal inclui babaçu, casca de angico, pequi e exploração de madeira, principalmente mogno.

Energia e mineração.

A produção e distribuição de energia elétrica no estado está a cargo das Centrais Elétricas de Goiás (Celg). As principais usinas hidrelétricas do estado são Cachoeira Dourada, São Domingos, ambas da Celg, Serra da Mesa e Corumbá I, ambas de Furnas. Parte da energia produzida por Furnas supere o Distrito Federal e a região Sudeste.

No subsolo de todo o estado existem importantes jazidas de calcário, já medidas e em condições de abastecer todos os municípios goianos, seja qual for o ritmo de crescimento do mercado de corretivos do solo. Há ainda jazidas consideráveis de ardósia, amianto, níquel, cobre, pirocloro, rutilo e argila, além de quantidades menores de manganês, dolomita, estanho, talco e cromita. Encontram-se ainda ouro, cristal-de-rocha, pedras preciosas (esmeraldas) e pedras semipreciosas. O estado possui excelente infra-estrutura para extração de minerais não ferrosos, principalmente ouro, gemas, fosfato e calcário, além de minérios estratégicos, como titânio e terras raras.

Indústria.

Para tirar partido de sua vocação agrícola e de seus recursos minerais, a indústria goiana concentrou suas atividades inicialmente em bens de consumo não duráveis e, a partir da década de 1970, nos bens intermediários e na indústria extrativa. Em meados da década de 1990, o desenvolvimento industrial goiano era ainda incipiente, vulnerável aos constantes impactos negativos da conjuntura econômica nacional. Tal fragilidade reduzia significativamente o dinamismo do setor secundário, incapaz de beneficiar-se devidamente das vantagens proporcionadas pela agropecuária e pelas imensas reservas minerais. Observava-se, porém, uma tendência à diversificação, principalmente em setores da siderurgia.

Aumentaram consideravelmente os setores da indústria extrativa e da produção de minerais não-metálicos, bens de capital e bens de consumo duráveis. Um dos principais ramos industriais do estado, que, no entanto, não acompanhou a tendência ascendente dos outros setores nas três últimas décadas do século XX, foi o da produção de alimentos -- fabricação de laticínios, beneficiamento de produtos agrícolas e abate de animais -- concentrado nas cidades de Goiânia, Anápolis e Itumbiara. Setores novos dinamizaram-se nesse mesmo período, como as indústrias metalúrgica, química, têxtil, de bebidas, de vestuário, de madeira, editorial e gráfica. Um elemento coadjuvante de grande importância ao crescimento econômico foi a implantação dos distritos industriais, nos municípios de Anápolis, Itumbiara, Catalão, São Simão, Aparecida de Goiânia, Mineiros, Luziânia, Ipameri, Goianira, Posse, Porangatu, Iporá e Santo Antônio do Descoberto.

Transporte e comunicações.

Na década de 1970, em consonância com as diretrizes federais, o estado de Goiás iniciou a implantação dos primeiros corredores de exportação, conceito que definiu rotas de transporte destinadas a ligar as áreas produtivas a algum porto, com prioridade para os excedentes agrícolas. Posteriormente, essas diretrizes foram aplicadas ao abastecimento, visando a articular os sistemas de armazenagem e escoamento de uma determinada área geográfica, de forma a adequar os fluxos das fontes de produção até os centros de consumo ou terminais de embarque, com destino ao mercado externo ou a outras regiões do país. No estado de Goiás estabeleceu-se uma rede rodoviária capaz de dar sustentação ao transporte das regiões produtoras de grãos e minerais para os pontos de captação de cargas ferroviárias de Goiânia, Anápolis, Brasília, Pires do Rio e Catalão.

Tal como ocorreu no restante do país, o transporte ferroviário e fluvial em Goiás foi relegado a segundo plano, devido à opção pelo transporte rodoviário. Na área de influência do corredor de exportação goiano, os principais troncos utilizados para atingir os pontos de transbordo ferroviário, sobretudo para a soja e o farelo, são: a BR-153, principal eixo de escoamento do norte de Goiás e de Tocantins, interligado ao ponto de transbordo rodo-ferroviário de Anápolis; a GO-060, que liga Aragarças a Goiânia, numa distância de 388km; a BR-020, que liga o nordeste de Goiás à região oeste da Bahia e a Brasília, onde está instalado outro ponto de transbordo; a BR-060, que liga Santa Rita do Araguaia/Rio Verde a Goiânia; a BR-452, que liga Rio Verde a Itumbiara, importante centro produtor e beneficiador de grãos, e segue até Uberlândia MG, onde está instalada uma rede de armazenagem de grande capacidade; e a BR-364-365, que liga Jataí a Uberlândia e atravessa a cidade de São Simão, outra opção para o escoamento da produção do sudoeste goiano.

Os jornais de maior circulação são O Popular, a Tribuna de Goiás, o Diário Oficial do Estado e o Diário do Município, em Goiânia. Em Anápolis, circulam A Imprensa e Tribuna de Anápolis; na antiga capital, Goiás, circula o Cidade de Goiás. Há várias emissoras de rádio em AM e FM. A principal emissora de televisão é a TV Anhangüera, pertencente à Organização Jaime Câmara.

História

Quase um século após o descobrimento do Brasil, os colonizadores portugueses trilharam pela primeira vez as terras de Goiás. Ficaram famosas, entre outras, as expedições de Domingos Rodrigues (1596), Belchior Dias Carneiro (1607), Antônio Pedroso de Alvarenga (1615) e Manuel Campos Bicudo (1673), além da mais famosa, a de Bartolomeu Bueno da Silva, com seu filho de igual nome, então com apenas 12 anos de idade. Bueno encontrou em pleno sertão a bandeira de Manuel Campos Bicudo, que conduzia presos índios da nação dos araés, cuja área parecera ao bandeirante extraordinariamente rica em minas de ouro. De acordo com as indicações de Bicudo, para ali seguiu Bartolomeu Bueno, que aprisionou os silvícolas restantes e colheu muitas pepitas de ouro.

Parece datar dessa época o episódio segundo o qual Bueno pedira aos índios que lhe mostrassem o lugar de onde retiravam o ouro empregado em seus adornos. Diante da negativa, o bandeirante despejou aguardente num recipiente e queimou-a, dizendo aos selvagens que o mesmo faria com a água de todos os rios e nascentes, matando-os de sede, se não lhe fosse mostrada a mina. Apavorados, os índios levaram-no à jazida e passaram a chamá-lo de Anhangüera, que significa "diabo velho", nome com que Bueno e seu filho passaram à história. Depois disso, graças ao sucesso da expedição do Anhangüera e de novas iniciativas dos reis portugueses para a descoberta das riquezas do subsolo brasileiro, foram muitas as bandeiras que cortaram, em todas as direções, as paragens goianas, algumas delas provenientes do Maranhão.

O objetivo das bandeiras era unicamente o descobrimento e a cata do ouro e outros metais preciosos, pois na época um breve papal condenara a escravização do índio, talvez por influência das inúmeras expedições religiosas que penetraram o solo goiano, a começar pela do frei Cristóvão de Lisboa, que fundou uma missão religiosa na área do Tocantins (1625). As entradas e bandeiras culminaram com a expedição de Bartolomeu Bueno da Silva, o segundo Anhangüera, que em 1720, juntamente com seus cunhados João Leite Ortiz e Domingos Rodrigues do Prado, requereu a João V licença para penetrar os altos sertões e avançar pelos centros da América, em busca de minas de ouro, prata e pedras preciosas. Pedia em troca a munificência real das passagens dos rios que encontrassem.

No ano seguinte, o capitão-general de São Paulo, D. Rodrigo César de Meneses, mandou chamar Bueno e estabeleceu com ele o ajuste de uma bandeira para localização e exploração da mina de ouro descoberta por seu pai. Em pouco tempo, Bueno arregimentou uma poderosa bandeira, que partiu de São Paulo em 3 de setembro de 1722, tomou o rumo do rio Grande e caminhou, sem encontrar tropeços, até o rio Paranaíba. Feita a travessia, desviou-se para o nordeste, pelo espigão do rio São Marcos, e foi atingir a lagoa Mestre d´Armas, poucos quilômetros acima do local onde hoje se ergue Brasília. Em seguida, rompeu o divisor das águas, foi ter às margens do rio Maranhão, ponto onde se cindiu a bandeira: parte dos seus integrantes desceu pelo grande rio, enquanto Bartolomeu Bueno e seus seguidores caminharam para o sudoeste, à procura da região dos goiases.

Em 21 de outubro de 1723, após mais de três anos nos chapadões, serras e matas, quando o governo paulista já cogitava de mandar uma expedição em seu socorro, Bueno regressou e foi exibir a D. Rodrigo amostras de ouro de várias minas descobertas.

Febre do ouro.

A notícia da façanha do Anhangüera levou milhares de brasileiros a enveredarem sertão adentro. Imediatamente, o capitão-general de São Paulo comunicou o fato a D. João V, que respondeu com carta régia de 29 de abril de 1726, na qual deferia todos os pedidos formulados pelos descobridores. Como decorrência, D. Rodrigo César de Meneses passou a Bueno e a seu cunhado João Leite Ortiz a carta de sesmaria de 2 de julho de 1726, dando-lhes o direito das passagens de vários rios existentes no itinerário feito, bem como seis léguas de terras de testada à margem dos mesmos rios.

Munido de tais privilégios, Bueno retornou em seguida a Goiás e parou num sítio próximo à serra Dourada, onde encontrou diversas minas e fundou o primeiro povoado em terras goianas, com o nome de Barra, hoje Buenolândia. Achadas depois, a pouca distância, minas mais copiosas, para lá se transportaram os moradores de Barra e fundaram, em 26 de julho de 1727, o arraial de Sant´Ana, que mais tarde (1739) tomaria o nome de Vila Boa, corruptela de Vila Bueno, núcleo da cidade de Goiás, sede do governo da capitania.

Em 1728 Bartolomeu Bueno assumiu as funções de superintendente-geral das minas de Goiás, cabendo-lhe a administração da justiça civil, criminal e militar. Ficava assim constituída a primeira organização político-administrativa das terras até então habitadas pelos selvagens. À medida que se iam descobrindo outras regiões auríferas, novos povoados se erguiam: Meia Ponte (hoje Pirenópolis), Ouro Fino, Santa Rita de Anta, Santa Cruz, Crixás, São José, Água Quente e Traíras.

No final de 1733, em virtude de intrigas políticas entre o governo de São Paulo e o reino, Bueno foi destituído de suas funções e substituído por Gregório Dias da Silva. A chegada do novo superintendente a Goiás coincidiu com o descobrimento de importantes jazidas, mas a implantação do imposto por capitação em vez dos antigos quintos deu motivo a graves motins e revoltas, sobretudo nas minas do Norte.

Domínio paulista.

Durante meio século (1730-1782) houve um só caminho para Goiás, o das bandeiras paulistas. Estabeleceu-se, em 1736, comunicação regular de Vila Boa com o litoral sul, através de Paracatu e São João del Rei, em Minas Gerais, até o Rio de Janeiro. A exploração das minas foi entregue aos paulistas, que dominaram a região e se estabeleceram no alto do Tocantins, predominando no médio Tocantins os contingentes humanos oriundos do norte. A interrupção da navegação acarretou o truncamento das relações entre o centro e o norte e a decadência de grande parte das povoações surgidas na zona dos afluentes do Tocantins.

A sociedade que se estruturou nas minas caracterizou-se pelo relaxamento dos costumes e pela violência. Fugitivos por dívidas ou por passado criminal ali se refugiaram. Eram raros os casamentos, e predominavam, ao longo do período colonial, as ligações livres. O grande número de escravos, calculado entre 13.000 e 14.000 no ano de 1736, e a falta de mulheres brancas, conduziram à natural miscigenação com as negras. Assim, no final do século XVIII, os brancos representavam a minoria no contexto populacional (7.200 num total de cinqüenta mil habitantes), enquanto os mulatos constituíam 31% e os escravos, 41%. A população mameluca era inexpressiva, em conseqüência das restrições legais ao amancebamento entre brancos e indígenas, e porque o ódio e ressentimento gerados pela resistência do nativo à escravização impediram a miscigenação.

Capitania de Goiás. Só em 9 de maio de 1748, D. João V desmembrou do governo de São Paulo o território goiano e instituiu a capitania, para a qual nomeou, como governador, D. Marcos de Noronha, ex-governador de Pernambuco e futuro conde dos Arcos. Por esse tempo já se esgotavam as jazidas de ouro, que, se antes era encontrado quase à superfície, agora recuava para o subsolo e para as correntes fluviais, tornando-se de captação difícil. Decaía, dessa forma, a atividade mineira, que durante vinte anos dera lucros fabulosos à coroa portuguesa. Com o objetivo de disciplinar a mineração e evitar o esgotamento das jazidas, D. Marcos instituiu novo sistema de arrecadação, restringiu as despesas e construiu as casas de fundição das vilas de Goiás e São Félix.

Em 1754 sucedeu-lhe na administração José Xavier Botelho Távora, conde de São Miguel, e em seguida João Manuel de Melo, que governou de 1759 até 1770 e deu os primeiros passos para a franquia da navegação dos rios Araguaia e Tocantins, como meio de ligar ao resto do Brasil a capitania de Goiás. Em 1772 assumiu o governo José de Almeida Vasconcelos Soveral e Carvalho, barão de Mossâmedes e visconde da Lapa, o primeiro a se preocupar menos com o problema da mineração e atentar mais para a administração da capitania. Estimulou a transferência de trabalhadores para as atividades agrícolas, a catequese dos índios e a instrução pública, e edificou no Araguaia o presídio São Pedro do Sul. Sua linha administrativa foi seguida por Luís da Cunha Meneses, que lhe sucedeu em 1778, em cujo governo foi aberta a navegação daquele grande rio da bacia Amazônica.

 

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